O empregado recebe alta do INSS, apresenta-se para trabalhar e o RH respira aliviado: caso encerrado. Só que o retorno costuma ser justamente o momento em que as decisões mais delicadas começam.
É preciso saber se houve sequela, se a função continua compatível com a condição de saúde e se o afastamento gerou estabilidade. Tratar o retorno como uma simples baixa no sistema pode criar um problema que só aparecerá meses depois.
O primeiro passo é reconstruir o que aconteceu
Antes de decidir sobre função, férias ou desligamento, reúna os documentos do caso: CAT, atestados, benefício concedido pelo INSS, exames ocupacionais, laudos e registros das medidas de segurança adotadas. A CAT, quando obrigatória, deve ser comunicada até o primeiro dia útil seguinte ao acidente — e imediatamente em caso de morte.
Essa organização não serve apenas para uma eventual defesa. Ela ajuda a empresa a entender se o trabalhador pode voltar à atividade anterior ou se será necessário adaptar tarefas e acompanhar sua recuperação.
A alta não apaga os efeitos do afastamento
Em regra, o empregado que recebeu benefício por incapacidade temporária de natureza acidentária pode ter garantia de emprego por 12 meses após a cessação do benefício. Durante o afastamento acidentário, os depósitos de FGTS também seguem regras próprias.
Há situações em que a natureza ocupacional da doença ou da lesão só é reconhecida mais tarde. Por isso, olhar apenas o código do benefício sem examinar os documentos médicos pode levar a uma conclusão apressada.
E se o empregado voltar com limitações?
Uma restrição de movimento, perda auditiva ou redução de força não significa, por si só, incapacidade total. Pode significar que a função precisa ser revista. O médico do trabalho, os laudos técnicos e a realidade da atividade devem conversar entre si.
Quando existe redução permanente da capacidade, também pode haver discussão sobre auxílio-acidente e, conforme as circunstâncias, responsabilidade civil. Indenização não é automática: depende da prova do dano, do nexo com o trabalho e, em muitos casos, da conduta da empresa.
Uma pergunta útil para o RH
Se alguém que não conhece o caso abrisse a pasta hoje, conseguiria entender o acidente, o afastamento e a decisão tomada no retorno? Se a resposta for não, a empresa ainda não terminou de cuidar desse episódio.

